quarta-feira, 30 de março de 2011

GUARDA-ME


Pelas escadas, pelas escadas daquele velho hotel, vi, como nunca. Vi-te ao fundo! Vi o teu brilho, o brilho que me ofusca e que me cega de amor por ti. Amor que nem é amor. Amor que vicia não pode ser apresentado por um sentimento tão magnífico que nunca experimentámos juntos. Eras meu e eu era tua. Detinhas a minha alma, tal como agora. “Guardião”.
Mas, naquela manhã suja e cinzenta, vi. Vi a essência profunda que me domina. Que me faz acreditar que estou viva. Que me faz desejar-te como nunca te desejei antes. Aproximaste-te. Desviaste o olhar. Sorriste para alheios e triunfaste. E eu, deixei-me cair, naquele chão ingrato e desconhecido. O chão em que me derramei. O chão que não me acolheu, que não me abraçou.
O tempo passou, o sentimento assim como a dor mudou. Profunda. Intensa. Forte. Bárbara. Talvez assim dê para demonstrar um bocado do que sinto. Da confusão que deixaste para trás. E porquê? Sinceramente não sei. Correste para distantes num minuto. Isso será possível? É a isso que chamas amor? Se é acho que prefiro que não sintas “amor” por mim.

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