quarta-feira, 25 de maio de 2011

Quando tudo é mais pesado

Era domingo, a chuva caía a potes e Elle estava na varanda, sentada com a cabeça tombada nos joelhos. De repente, um som estridente abafa o silêncio pesaroso. Elle pega no telemóvel, olha e deixa-o cair. A rapariga fica estática e eu também. Respirei fundo e fui ter com ela. Sentei-me e fiquei. Depois ela abraçou-me. Sabia o que acontecera, por detrás daqueles olhos castanhos estava o ardor de uma tristeza fresca. Deixei que o silêncio desse conta dos nossos pensamentos e então decidi quebrá-lo. “Recomeçar faz parte, torna-nos mais fortes”, Elle respondeu-me com uma lágrima. “Sei que custa, já passei por isso e recomecei. No início a palavra recomeçar era-me obscura, contudo ao fim de algum tempo reli-a e entendi-a”, calei-me, deixei-a digerir e reflectir. A paz rodopiou a casa, novamente. “Não entendo o porquê… Tudo, a meu ver, estava perfeito. Eu era feliz e pensei que ele também. Mirava a minha expressão na dele, era o espelho da minha alma”, ouvia aquelas palavras e aqueles soluços. Não me eram indiferentes, deixavam-me amargurado. Vê-la naquele estado nauseabundo e incrédulo provocava uma revolta que crescia dentro de mim. Não percebo como era possível ser tão imaturo. Terminar uma relação de longa data com uma mensagem?! Trocar uma menina doce, frágil e sensível como Elle por uma bola suja de futebol e pelos copos?! Realmente não entendo. “Um dia irás encontrar alguém que te mereça, alguém que te valorize!”. Elle deixa transparecer um sorriso no canto do lábio. Abracei-a e tudo RECOMEÇOU.

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